SONHOS E ENCANTOS

SONHOS E ENCANTOS

terça-feira, julho 18, 2017

Memórias  de uma senhorinha

E nossa senhorinha, enfim recebeu o telefonema que avisava da chegada de sua família...  o  coração , repleto de alegria, parecia não lhe caber no peito. Contava as horas que faltavam para abrir a porta e abraçar os entes tão queridos.Ansiava por escutar a buzina tocando alegremente.O filho mais novo ela já havia trazido consigo e fora também uma viagem surpreendente deste o início.
Dudu havia pedido que levassem a sua bicicleta e dentro do carro (uma Variant espaçosa , porém pequena para comportar a bagagem e ainda uma bicicleta. O irmão e Drinha (padrinho e madrinha do filho) tentaram prendê-la na parte detrás do carro, mas em vão foram todos os esforços...não havia como segurá-la. Aos prantos Dudu entrou no carro e em pranto passou a viagem... parou ao chegarem em Barbacena para lancharem e retomou o choro tão logo o carro se pôs em movimento. De nada adiantavam os pedidos e nem mesmo a doce voz da mãe o faziam interromper o choro. Foi um alívio quando chegaram em casa e ela pediu a um menino, irmão de um amigo, que a ele explicasse que poderiam alugar bicicletas e passear à vontade nas poucas ruas planas da cidade repleta de ladeiras. E a alegria voltou a brilhar nos olhos daquela criança tão doce e que, dificilmente, se aborrecia com alguma coisa.

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E enfim chegou o dia tão esperado e aconteceu o que nossa senhorinha havia previsto... todos reclamando do frio e das janelas basculantes que deixavam passar o ar gelado em sua junções. O irmão então teve a brilhante ideia de colocar jornais embolados em todas as frestas e todos os dias era aquela obrigação, todos ajudando e a história do frio passou a ser uma farra para todos eles. 
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Vamos deixar a nossa senhorinha curtindo a sua família e a sua alegria.Eu vou, mas eu voltarei, viu?


Leninha Brandão


quarta-feira, julho 12, 2017

Memórias de uma senhorinha


Inverno se aproximando e as férias tão esperadas também. Nuvens corriam como flocos de algodão (doce?) pertinho de sua janela. Os pensamentos também corriam e a proximidade da chegada da mãe, dos irmãos e dos filhos se afigurava um tanto tenebrosa pela reação que temia. Acostumados às temperaturas amenas do inverno em Muriaé e no Rio de Janeiro, como reagiriam àquele frio e àquelas “simpáticas” Nuvenzinhas. Ela achava lindo acordar pela manhã e avistar o céu quase ao alcance de sua mão...era uma Pollyana, lembram-se? E o “jogo do contente” sua distração preferida.


Providências foram tomadas para amenizar um pouco o frio... mantas , cobertores e edredons enfeitavam lindamente as camas e o improvisado sofá da sala. ( Dois estrados cujos colchões estavam revestidos de um macio veludo de algodão e muitas almofadas). Cores fortes e quentes coloriam as camas e traziam um pouco de sol para dentro de casa, iluminando os ambientes.

 .Nas paredes , colchas à guisa de panôs davam um toque alegre e um tanto hippie à decoração.

Mister se fazia providenciar casacos (mantôs ou manteaux como se dizia antigamente) para ela e para a Drinha...recorreram à secretária que lhes indicou o seu alfaiate e uma loja em São João Del Rei onde encontrariam lãs da melhor qualidade. E para lá se dirigiram alegremente em busca de uma lã macia e aconchegante . Em lá chegando se deslumbraram com a variedade e com a qualidade dos tecidos.Uma boa escolha foi feita...lãs de padronagens semelhantes porém cores diferentes...verde para a Drinha e marrom para nossa senhorinha.No dia seguinte levariam para o Sr Alfaiate, muito bem recomendado por todos , inclusive pelos vendedores da loja.Uma surpresa as aguardava: o ar solene do profissional. No momento em que começou a "tirar as medidas", um susto...ele caiu de joelhos aos seus pés para medir o comprimento do casaco de nossa senhorinha que o queria um pouco abaixo dos joelhos. Mas concordaram que deveria mesmo ser um "expert" no assunto uma vez que tão inusitado procedimento nunca haviam presenciado.

No dia aprazado foram experimentar os casacos e que decepção!!! As mangas haviam ficado curtas e as cavas muito apertadas, o que as colocava em uma verdadeira "camisa de força", limitando-lhes os movimentos e sem o menor espaço para ampliar a costura. E o Sr alfaiate ali , vangloriando-se de sua obra prima. Nada lhes restava a não ser pagar o valor combinado e levar para casa o sonho destruído. Um dia, muitos anos depois, haveriam de rir desta situação, porém no dia não havia nada cômico no acontecido.

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Vamos deixar nossas amiguinhas a chorar as suas pitangas e dar um tempo para assimilarem a sua mágoa.

Estou indo.Mas voltarei, com certeza!!!


Leninha Brandão

sábado, julho 08, 2017

Memórias de uma senhorinha

Encontrando novos sonhos


E nossa amiguinha seguia seus caminhos e fazia novas amizades. Era de seu feitio conviver com várias pessoas e ampliar seus horizontes...o que era fácil de ser realizado neste local paradisíaco.
Hoje olho pela janela de minha alma e a vejo, trilhando as ladeiras de sua mente incansável e florindo a sua alma com novos aromas e sensações . Por detrás de sua aparência calma e tranquila um vulcão de sentimentos e curiosidade ...e queria saber de tudo o que se referia à nova cidade e aos seus arredores.
Na pensão de Dona Elzi conheceu um senhor, proprietário de uma fazenda e um verdadeiro ermitão...ia à cidade somente para adquirir o estritamente necessário à subsistência em seu refúgio. Dizia-se que após ter perdido o pai, a mãe e a esposa, havia se recolhido à fazenda e ao seu mundo particular... tinha seus cães e seus bois, sua plantação de flores e cereais, seus discos e era feliz com a sua existência, nunca perturbada por estranhos. Mas , há sempre um mas em todas as histórias, não é mesmo?, e ele fez amizade com nossas amigas, nunca imaginando que ela , a nossa senhorinha, nunca se contentara em saber apenas um pouquinho da vida dos amigos.
E aqui faço uma pausa para lhes pedir que não critiquem  este lado curioso e até mesmo ”invasivo” de sua personalidade...era , lembram-se?, uma faceta de seu temperamento que nunca ninguém havia conseguido represar. Colocar diques em águas caudalosas seria até mais fácil...
Feita a devida ressalva, voltemos aos fatos. O senhor ermitão as convidou para uma visita à fazenda e ela, prontamente aceitou sem mesmo saber se a amiga Drinha gostaria desta aventura. Por que uma aventura?  A fazenda era bem distante da cidade, o acesso  difícil e perigoso por uma estrada cortada por riachos , cujo percurso seria mais adequado para um jeep ou uma camionete com tração nas quatro rodas. Na época possuíam um fusca , valente na realidade, mas nada apropriado para esta empreitada.
E chegou o esperado dia, um sábado ensolarado e radiante. E radiante e ensolarada estava nossa senhorinha ao preparar a cesta de piquenique e as guloseimas para a viagem. Bem cedinho pegaram a estrada e com o som do carro ligado, iniciaram o percurso. A estradinha era estreita e pedras se misturavam ao saibro que cantava sob o impacto dos pneus...passaram bem pelo primeiro riachinho que brilhava ao sol. Paravam de vez em quando para fotografar a beleza da paisagem e assimilar o encanto e o sabor daquele dia tão especial. Após duas horas de viagem, pararam em uma acolhedora sombra de uma árvore e degustaram algumas frutas...ao longe avistavam algumas fazendas e sítios e chaminés soltavam a fumaça característica do preparo do almoço nestas casas.
Alma acolhida pelo caminhar nas horas e na beleza, passearam a alegria e voltaram ao carro e à espera que o destino estivesse próximo. Latidos de cachorros cada vez mais próximos indicavam a aproximação  ...e após uma curva surgiu a fazenda tal qual a imaginavam. Um último regato a transpor e estariam lá. Passaram por ele  desceram do carro e chegaram a uma porteira que mostrava do lado de dentro três enormes e furiosos cães. Ameaçadores e mostrando seus dentes , latiam loucamente o que as fez dar meia volta e voltar para o carro, com os cachorros em seu encalço.  O dono da casa apareceu então e dominou os cães ,levando-os para um canil e fechando a porta de ferro do mesmo. Após isto veio ao encontro das amedrontadas visitas que estavam encolhidas dentro do veículo, já pensando em fazer o percurso de volta. Após o pedido de desculpas conduziu- as para a casa e as acolheu com uma belíssima mesa de almoço e uma seleção magnífica de LPs. ( Long Play) .
Uma tarde agradável finalizou o passeio e à noitinha voltaram para a cidade, cansadas e felizes, prometendo ao anfitrião que voltariam mais vezes, contanto que prendesse antes de sua chegada os temidos cães.

E mais uma aventura de nossa senhorinha chega ao final.

Eu vou, mas retornarei!!! Com certeza




Leninha Brandão





terça-feira, junho 27, 2017

Memórias de uma senhorinha
               Conhecendo os arredores

Quando se muda para uma região o melhor que se tem a fazer , além de se tentar conhecer os hábitos e costumes dos moradores, é uma visita de reconhecimento aos lugares vizinhos. Assim nossa senhorinha aprendera com seu pai, nas várias mudanças que fizeram durante toda a vida. Manhumirim, Laginha, Pouso Alegre, Ponte Nova e Muriaé...foram as cidades onde moraram enquanto ela , menina ainda , se adaptava a cada uma e a cada mudança de sotaque.
Desta vez não teria a mão protetora do pai a conduzi-la pelas ruas a mostrar-lhe as diferenças da cidade anterior...porém, e seu coração tinha certeza deste fato, as suas palavras e os seus conselhos haviam calado fundo em sua mente e era como se ao seu lado ele estivesse, percorrendo novas ruas, novas estradas, novas trilhas...
Iniciou a visita pela cidade de Prados, bela e acolhedora, trazendo ares bucólicos para o seu passeio.
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Página oficial  Fonte WIKIPEDIA
Prados é um município brasileiro do estado de Minas Gerais
A origem de Prados remonta à descoberta de ouro no vale do Rio das Mortes, mesma causa de ocupação de São João del-Rei e Tiradentes. O município sempre integrou a rota dos turistas que transitam pelo circuito turístico Trilha dos Inconfidentes. O centro histórico dessa cidade setecentista mantém igrejas e casarões bem conservados. Ali viveu a mulher considerada como a mais atuante no movimento da Inconfidência Mineira - a rica pradense Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, mulher do inconfidente Francisco Antônio de Oliveira Lopes. O casarão que lhe serviu de residência após o degredo do marido é hoje um atelier de artesanato que fica em frente à Igreja Matriz.

Segundo a tradição, o povoamento local se deu através de uma bandeira chefiada pela família Prado. Eles deram origem a um núcleo de mineração que, mais tarde, tornou-se o Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Prados, um dos mais importantes do Termo da Vila de São José. Têm-se notícias de casamentos realizados na Capela de Prados já em 1716. O fato de o lugar ter sido passagem de boiadas e tropas muito contribuiu para o desenvolvimento da localidade. Em 15 de abril de 1890, o arraial foi elevado à vila e, dois anos depois, a vila foi elevada à cidade.
Hoje, além de sua memória histórica, Prados conserva também sua tradição musical que tem origem nas cerimônias religiosas dos séculos XVIII e XIX. No mês de julho, é realizado ali um festival de música erudita que faz parte do calendário dos eventos mais importantes do Estado
O destaque é para a Lira Ceciliana, fundada em 1858, um verdadeiro orgulho para os pradenses que, constantemente, recebem estudantes de música de todo o Brasil.
Outro forte atrativo é o artesanato de primeiríssima qualidade que a cidade produz a preços convidativos. Ao longo da avenida que dá acesso ao centro histórico, é possível observar muitos dos coloridos e criativos atelieres que produzem bonitas peças feitas em madeira e cerâmica. O couro também se transforma em artigos para montaria, botas, sandálias, cintos e bolsas.

O Distrito Vitoriano Veloso - mais conhecido como Bichinho - é um lugar muito especial. Móveis, telas, bordados, fuxicos, crochês, tapetes, esculturas e adornos em geral estão por toda parte. O histórico vilarejo fica a apenas 8 km de Tiradentes, com acesso por uma estrada de terra que proporciona um visual encantador dos contornos da Serra de São José. Essa mesma estrada de terra liga Prados a Tiradentes, passando por Bichinho.
O município mantém um trecho da Estrada Real que conserva características originais. Através da Rua Magalhães Gomes, tem-se acesso a esse trecho. Enfim, Prados é arte. Uma produção muito rica para os músicos, artistas plásticos, turistas, decoradores e lojistas que visitam o Circuito.
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A visita ao povoado de Bichinho foi uma experiência encantadora. Atualmente , Bichinho é um lugar conhecido por todos, porém naquela época era apenas uma rua, com algumas casas de adobe e soleiras de pedra sabão. A civilização ainda não havia chegado àquele povoado e as pessoas olhavam espantadas para os carros que ali chegavam. A lembrança mais forte que tocou o coração de nossa romântica senhorinha foi a visão de uma meninazinha loirinha , abraçada a um radinho de pilha, seu único contato com o mundo lá fora...um mundo do qual só sabia as músicas e notícias trazidas pelo seu aparelhinho...e saltitava ao som da melodia e seus pés descalços pareciam executar passos de balé naquele chão de terra vermelha...a felicidade fazia brilharem os seus olhinhos e o sol se refletia nas douradas mechas de seus cabelos. Uma imagem inesquecível certamente.

Hoje, Bichinho tem o nome citado em revistas, jornais e sites...naquela época era apenas isto...um lugarzinho acolhedor com uma menininha e seu radinho de pilha...e suas casinhas simples onde morava a felicidade.

Por hoje é só, meus amigos. Eu vou mas eu volto!!!




                                            

                                                    Leninha Brandão
                                                      

sexta-feira, junho 23, 2017

Memórias de uma senhorinha

Resende Costa- Sua História e suas tradições
Por João Carlos Resende - Arquivo próprio

A história do município de Resende Costa se inicia no ano de 1749, com a construção de uma capela, aonde atualmente se encontra a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, tendo em volta oito casas, pertencentes às primeiras famílias do Arraial, como a dos inconfidentes José de Resende Costa pai e filho e a casa do Padre Toledo.[6]
No ano de 1840, mais precisamente no dia 1º de setembro, foi desmembrada da Paróquia de Santo Antônio de Lagoa Dourada. Com isso, foi elevada à paróquia, tendo como primeiro pároco o padre resende-costense Joaquim Carlos de Resende Alvim. Além disso, foi elevado a distrito do município de São José del-Rei, hoje Tiradentes, e emancipou-se pela lei estadual nº 556, sancionada pelo governador Bueno Brandão, de 30 de agosto de 1911 com a denominação de Vila de Resende Costa. No dia 2 de junho do ano seguinte, a sua emancipação político-administrativa foi oficializada, tendo como primeiro administrador municipal o presidente da Câmara Francisco Mendes de Resende.
Desde 1923 o município passou a denominar-se simplesmente Resende Costa.[7]Fonte : Wikipédia

terça-feira, junho 20, 2017

Memórias de uma senhorinha

                                                                                                                                                                                                                                                            

Delicadeza / contrastes

E a surpreendente beleza da cidade , o encanto da laje e o poente irresistível os conquistaram imediatamente. Sim, ela não havia exagerado...era uma explosão de cores e de sentimentos, um alternar de emoções e alegres despertares para um mundo novo e completamente diferente de tudo aquilo que já haviam vivido.

Foram para  a casa encontrar a Drinha e contar-lhe as novidades...seriam os próximos moradores  deste rincão escondido nas serras mineiras. Cláudio era médico e havia na cidade uma Santa Casa completamente desfalcada de médicos e André ,um exímio pianista...em São João del Rei , cidade voltada para as artes, um Conservatório onde poderia ministrar aulas de piano.Durante uma semana todas as providências foram tomadas. A Santa Casa não só recebeu o Dr Cláudio de braços abertos, como também ofereceu moradia...um belo bangalô bem no estilo de antigamente. 

Uma casa parecida

A visita ao Conservatório ficaria para a próxima vez.E foi uma correria para começar a mobiliar a nova casa...muitas colchas foram usadas na decoração, muitas plantas na varanda e o restante viria do Rio, onde já possuíam móveis e demais apetrechos que fazem de uma casa um lar.

E nossa amiguinha se esmerando na cozinha (não tinha muita prática, já que na fazenda as serviçais faziam tudo e ela se limitava às comidinhas dos filhos e à arrumação da casa, trabalho que sempre a fascinou). Seu prato preferido era um souflé de batata ou de queijo...mais tarde acrescentou outros ingredientes: palmito, chuchu, abobrinha, cenoura e o que mais houvesse na horta da fazenda. Mas agora não contava com uma horta...suas verduras e legumes vinham do asilo, trazidas por um menininho lourinho de olhinhos espertos e azuis.Seu apelido era Grilo e ela nunca soube seu nome verdadeiro...soube pela administradora do asilo (que também era orfanato), que ele fora deixado ainda bebê aos seus cuidados e a mãe desaparecera neste mundão de Deus e nunca mais dela tiveram notícias. Aos sábados e domingos era sagrada a visita ao Asilo ,motivo de grande alegria dos velhinhos e das crianças.
Na época as crianças possuíam uma ala separada da ala dos idosos.Hoje não sei se ainda há crianças ...

A amiga Tininha era a administradora e cuidava de todos com o mesmo carinho que dispensava ao seu jardim de cravos...belíssimo jardim que a todos encantava.

Mas eu falava das aventuras de nossa amiga na cozinha e tergiversei como de hábito.
Suas habilidades eram diminutas...um arroz de forno , que havia aprendido com a mãe, bifes abafados também da mesma origem e seus souflés, deliciosos e que agradavam sempre.
Eis que um dia, os amigos avisaram que receberiam visitas: duas amigas que moravam na Ilha do Bananal.
Nossa amiguinha resolveu rapidamente o cardápio do jantar: um belíssimo souflé  e uma salada bem colorida.
Enfeitou a casa com os cravos que a querida 
Tininha lhe enviara e preparou sucos de frutas e uma bela mesa com sua toalha de linho mais linda.
E foi com alegria que recebeu as amigas vindas de longe.
Serviu o jantar e ,como sempre acontecia, aguardou os elogios. Que não vieram, infelizmente.A única observação feita foi: 
-A entrada estava ótima! Agora vamos aguardar o prato principal...
Nossa amiga quase desmaiou...acostumara-se a servir apenas o souflé e todos sempre apreciaram.
Sepulcral foi o silêncio que sucedeu o comentário bastante infeliz.Os amigos perderam completamente o ar da graça e só foram salvos pelas palavras da Drinha: 
"-Agora serviremos o prato principal: música, comigo ao violão e vocês cantando"
E assim se encerrou a noite ao som de Bossa Nova, Samba Canção e Boleros.
E muita paz no coração de todos.

E com esta belíssima interpretação , eu me vou.
Mas voltarei, aguardem!!!









                                           Leninha Brandão



quinta-feira, junho 08, 2017

Memórias de uma senhorinha

São  João del Rei

Dotada de uma vasta gama arquitetônica, a qual não se restringe apenas ao Barroco, mesmo na região do Centro Hisrico é possível observar diversas linhas arquitetônicas. 
São João del-Rei é conhecida também por ser uma cidade universitária devido a presença da UFSJ, do IPTAN e IF-Sudeste de MG, além do grande número de repúblicas estudantis espalhadas pela cidade.

E foi este o aspecto desta cidade que mais encantou os nossos amigos...a arquitetura Barroca os seduzia e atraia como o canto de uma sereia...porém teriam que prosseguir na sua viagem ou não atingiriam o seu objetivo.Em um outro dia viriam passear e visitar esta cidade encantadora em todos os sentidos.

De longe avistavam as belas e imponentes igrejas e o casario com suas janelas multicoloridas.

Porém mister se fazia prosseguir  pelo asfalto até a bifurcação que os conduziria à estradinha estreita e esburacada que alcançaria o seu almejado destino...não sem antes passarem por "Coroas" ( Coronel Xavier Chagas),onde uma surpresa os aguardava.Naquele lugar, quase afastado da civilização depararam com uma igrejinha linda,toda em pedra,rodeada por uma bucólica pracinha.

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Infelizmente, estava fechada...
A ansiedade, a vontade de chegar fizeram com que deixassem para outro dia a visita...novamente.
E seguiram subindo ,agora mais calados,deslumbrados com a paisagem e felizes pela proximidade de Resende Costa.
E, enfim, a surpresa para os amigos e a constatação de que ela não exagerara...o belíssimo por do sol que os aguardava era a melhor saudação de boas vindas que poderiam receber.
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Ainda não lhes falei sobre o apartamento que nossa senhorinha havia alugado. E vocês, meus amigos, devem estar a pensar onde ela os acolheria...passei o carro na frente dos bois e agora terei que me redimir e contar como se deu este verdadeiro achado.Enquanto moravam na pensão da Dona Elzi, as nossas amigas comentaram com ela sobre a intenção de fazer morada nesta terra que as havia recebido de braços abertos. E esta logo tratou de conversar com seus amigos e parentes tentando ajudá-las.E não é que conseguiu? Seu primo estava terminando um pequeno prédio e era de seu interesse alugar o segundo andar , visto que o primeiro já estava alugado para um escritório de advocacia ...e foi uma alegre senhorinha  que galgou os dois lances de escada para conhecer aquela que seria a sua casa , o seu cantinho de começar a ser dona de casa , sem empregadas e sem mordomias...e seria o seu aprendizado nesta senda na qual nunca se havia aventurado. E creio que se divertirão muito com sua trapalhadas (teve acertos também, claro)...
Mas estou me alongando demais...não quero que se cansem.
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 Por hoje , é só...amanhã voltarei.
                           
     


Memórias de uma senhorinha

 


Carruagem real


Os amigos haviam comprado um carro e estavam ansiosos para colocá-lo na estrada.Era um Mercedes Benz antigo e parecido com este da foto. Para quem viajou de ônibus de Resende Costa até o Rio de Janeiro, fazendo baldeação em São João Del Rey, era realmente a própria carruagem real e nossa amiguinha se sentia uma princesa conduzida por seus bardos ,simultaneamente músicos, poetas e historiadores, tal qual os bardos das histórias que ela gostava de contar. Um deles era pianista e o outro, médico . A música unia os três e os laços de amizade os tornavam quase irmãos. Existia uma sincronicidade tal entre eles que se aproximava por vezes da telepatia. Estavam felizes por viajarem juntos e nada perturbava esta sensação de paz e de harmonia.

A nossa amiguinha estava ansiosa e falava muito, enquanto as cidades iam ficando para trás. Ainda não havia a moderna estrada que hoje nos leva até as cidades históricas mineiras.

        Um pouco da História da estrada BR-040
Fonte: WikipédiaE

A atual BR-040 foi efetivada pelo Plano Nacional de Viação em 1973. A redação inicial do Plano, em 1964, estabelecia a rodovia entre Brasília (DF) e São João da Barra (RJ). Com a revisão, o trecho entre Belo Horizonte e São João da Barra passou a fazer parte da BR-356, sendo incluído na BR-040 o trecho até o Rio de Janeiro, inicialmente parte da BR-135.
Antes de 1964, o trecho entre Rio de Janeiro e Belo Horizonte era denominado BR-3.
Dois trechos da BR-040 têm grande importância na história das rodovias brasileiras. O trecho entre Petrópolis e Juiz de Fora compreendia a Estrada União e Indústria, a primeira rodovia brasileira, inaugurada em 23 de junho de 1861 por Dom Pedro II. Este trecho foi substituído pela atual Rio-Juiz de Fora em 1980. O trecho Rio-Petrópolis, conhecido como Rodovia Washington Luiz, foi inaugurado em 25 de agosto de 1928, pelo Presidente da República, Washington Luís, e tornou-se o primeiro asfaltado do Brasil em 1931 .
O trecho da BR-040 entre Juiz de Fora e o Rio de Janeiro foi concedido à Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora-Rio de Janeiro (Concer) em 1996.
No trecho urbano da cidade do Rio de Janeiro, a BR-040 é formada em sua maior parte pela Avenida Brasil (trecho concomitante com a BR-101), indo desde a travessia sobre o Rio Meriti no limite com Duque de Caxias, até o ponto final da rodovia na Rodoviária Novo Rio. Até 2013, ano em que se iniciaram as obras na Avenida Rodrigues Alves e a demolição do Elevado da Perimetral, seu ponto final era a Praça Mauá, onde atualmente é o boulevard da Orla Prefeito Luiz Paulo Conde.[3]
Em dezembro de 2013, o trecho da BR-040 entre Brasília e Juiz de Fora foi concedido à Invepar (Investimentos e Participações em Infraestrutura S.A.), que será responsável, pelo período de 30 anos, pela recuperação, operação, manutenção, conservação, implantação de melhorias e ampliação da rodovia.
A antiga Rio-Petrópolis foi considerada, por muito tempo, a melhor rodovia da América do Sul.
Na década de 1950 foi construída a Estrada do Contorno de Petrópolis, ligando Itaipava a Xerém, que passou a ser usada como pista de descida da serra. Atualmente, a antiga Washington Luiz serve como pista de subida da BR-040 até a entrada de Petrópolis (Quitandinha), onde se inicia a Rio-Juiz de Fora.

O trecho Petrópolis - Juiz de Fora


A BR-040 no distrito de Pedro do Rio (em PetrópolisRJ), ao lado da conhecida cervejaria do Grupo Petrópolis.
Este trecho, concluído em 15 de junho de 1980, substituiu a antiga Estrada União e Indústria, a primeira rodovia do Brasil, inaugurada em 1861. Suas obras tiveram início em 1975 e concluídas cinco anos depois, seguindo longo percurso em região montanhosa, plana, ondulada, com trechos de pista simples (7,20 m) e duplas (14,40 m), de largura. Atualmente todo o percurso é feito em pista dupla.
De Petrópolis a Juiz de Fora, a rodovia BR 040 corta sete municípios, num percurso de 138 quilômetros, com volume de tráfego de sete mil veículos/dia e menor índice de cargas, em relação a Rio-Bahia, segundo informação do DNIT.
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Entre Juiz de Fora e Barbacena passaram por Ewbanck da Câmara, Santos Dumont ( Terra do Pai da Aviação) e Correia de Almeida ( distrito de Barbacena).
Em Barbacena nossos amigos pararam na Cabana da Mantiqueira para um lanche e uma "esticada de pernas".
Ainda  havia um pedaço de chão a esperá-los...
De Barbacena a São João del Rei a estrada era estreita e mal sinalizada, caminhões de cimento conduziam cargas enormes e a atenção teria que ser redobrada.Nada que os assustasse ou preocupasse...eram jovens, deliciosamente despreocupados e totalmente "de bem com a vida".
          Passaram por Barroso e os caminhões ficaram para trás...os olhos atentos e curiosos viram surgir a entrada de Tiradentes ,uma Tiradentes que diferia completamente da atual, ponto turístico importante das Minas Gerais. Fascinados, apesar da urgência em chegar ao destino, não se contiveram...entraram na cidade para um pequeno "tour". Encantaram-se com as ruas calçadas com pedra sabão e com as belas frentes de casas...era uma cidade composta por frentes de casas apenas...belos vestígios de um passado e de uma arquitetura colonial que ficara perdida nos tempos de antanho.

Passearam pelas ruas silenciosas onde se ouvia os sons de seus sapatos... apaixonaram-se .
Porém , o seu destino e a sua ligação com esta cidade estava ainda por ser escrito...um dia se cumpriria. Hoje o que queriam era seguir a viagem e ainda faltavam algumas " léguas" para alcançar a cidadezinha no topo da montanha.E ainda teriam que atravessar São João Del Rei e Coronel Xavier Chagas. Então, "sebo nas canelas" ou melhor dizendo , gasolina no tanque e preparar o espírito para a subida. 
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 E vamos descansar um pouco e preparar o fôlego para novas aventuras.
                Eu vou, porém prometo que volto!!!
                            Bjsssssssssssssssss

   

      

sábado, junho 03, 2017

Memórias de uma senhorinha


E nossa senhorinha sentia-se como uma borboleta prestes a alçar novos vôos, em busca de novas flores e novos horizontes...
Enfim chegou à Rodoviária.A irmã já estava à sua espera ansiosa pelas novidades...no percurso até o Catete, nossa senhorinha contava à uma irmã espantada e encantada as suas descobertas naquela cidade escondida no alto de uma montanha. E também falava nas colchas, tesouro garimpado de casa em casa,ouvindo os causos enquanto acompanhava o tecer apressado das artesãs.
Uma artesã de Resende Costa
                                                                                           
E , ao chegar em casa ,todos maravilhados com a beleza das colchas e já tecendo planos de passar as férias neste abençoado lugar.
 Á noite o tão esperado encontro com os amigos...novamente olhos e ouvidos atentos à sua palavra... e uma resolução corajosa e rápida de seus amigos André e Cláudio. Iriam com ela para conhecer este recanto escondido das Minas Gerais.           E , talvez, quem sabe, estabelecer morada e sonhar junto com a senhorinha  , como se  possível fosse , sonhar e viver este sonho para sempre, tal qual nos contos de fadas. 


Uma correria de preparativos e de projetos para uma nova vida teve início.

        
 Enquanto isto , nossa senhorinha, tal qual um mascate antigo, saia com sua mala, não por estradas verdejantes montada em um intrépido cavalinho, porém, prosaicamente, nos elevadores do prédio onde moravam, nos ônibus lotados ou no carrinho da irmã com destino à Ilha de Guaratiba onde ela lecionava.E foi lá que fez a sua maior venda...um circo estava armado na praça e para ele se dirigiu animadamente. Lembram-se que ela era apaixonada por circos e na juventude, com a amiga Angela, quase se atreveu a subir no trapézio? Só não o fez porque era muito medrosa e também porque não ficaria bem para a nora de um coronel (Título dado aos fazendeiros de outrora).
Mas voltemos ao fio da meada...estávamos no circo, não é mesmo?
Animada, nossa amiguinha ,logo se viu rodeada por palhaços, trapezista e acrobatas...a mulher barbada logo escolheu uma linda colcha...e de repente, todas as colchas estavam enfeitando portas, camas e paredes das moradas da troupe .
 E ainda servindo de cortina para o trailer do engolidor de fogo!!!
Experiência riquíssima este dia no circo.

Vamos para casa que o dia foi repleto de sensações novas.

E agora deixarei vocês com este gostinho de "quero mais".

Memórias  de uma senhorinha E nossa senhorinha, enfim recebeu o telefonema que avisava da chegada de sua família...  o  coração , r...

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